A convergência das mídias e o novo cenário pedagógico

Maria Alda Medeiros da Costa

A modernidade adentra o espaço escolar sem pedir licença, ou seja, as novas tecnologias estão presentes nas escolas, mas, na maioria das vezes, não sabemos o que fazer com elas, e nem como utilizá-las em benefício da aprendizagem do aluno. A formação continuada de professores na utilização das diversas mídias é necessária e urgente.

É comum vermos ações isoladas na escola, no que diz respeito ao uso das diversas mídias, e não uma prática comum ao seu cotidiano. É preciso trabalhar melhor o professor, mostrando-lhes as diversas possibilidades de aprender e ensinar utilizando as mídias em sala de aula, além de dispor condições estruturais para isso.

José Manuel Moran cita algumas situações de uso das mídias em sala de aula que poderiam ser consideradas cômicas, não fosse o prejuízo causado aos alunos, nem tivesse à frente desse tipo de situação um professor, profissional responsável pela formação de crianças e adolescentes.

Ele nomeia de mídia-tapa buraco aquela situação em que “os professores questionam todas as mídias possíveis alegando defeitos de informações ou estéticos”. Chama de mídia-enrolação quando se “usa uma mídia sem discuti-la, sem integrá-la ao assunto da aula, sem chamar atenção para seus pontos mais importantes”. Mídia-deslumbramento ao “usar uma mídia quando há um problema inesperado, como a falta de um professor. Isso pode ser útil, mas se feito com freqüência pode fazer com que o aluno associe o uso da mídia a não ter aula”. De Mídia-perfeição “quando o professor acaba de descobrir o uso daquela mídia e a utiliza em todas as aulas, esquecendo outras dinâmicas. Isso pode empobrecer as aulas”. E, por fim, só a mídia, quando a usa “sem ligação alguma com a matéria. A mídia é usada para camuflar a aula. Pode até concordar na hora, mas discorda do seu uso”.

Infelizmente, é comum encontrarmos nas escolas o uso das mídias aliado a uma ou mais dessas condições. São várias as razões para tal procedimento, dentre elas citemos apenas duas: ignorância com relação à contribuição do uso das mídias no processo de ensino aprendizagem; e também por ser a forma mais fácil de suprir a falta de um professor naquele momento, segurando o aluno na escola para não mandá-lo para casa e ter que se reconhecer como incapaz de atendê-lo no seu direito. Infelizmente, isso é prática tão rotineira nas escolas que faz nos lembrar um dizer bíblico: Atire a primeira pedra quem nunca se utilizou de alguma dessas situações em sala de aula.     

Mas, ainda assim, acreditamos na utilização das tecnologias de informação e comunicação na educação pela sua capacidade de alcance, tornando o acesso ao conhecimento muito mais democrático, e em curto espaço de tempo.

Certamente, o advento da revolução tecnológica traz consigo diversas mudanças comportamentais e isso desencadeia em mudanças culturais. Lembremos da incorporação da televisão ao ambiente familiar. Costumes antigos dessa rotina foram deixados de lado e novos foram surgindo. Antes o tempo em casa era gasto nos afazeres de casa e na relação direta entre os membros. Depois, esse tempo passou a ser dividido com o compromisso de assistir às novelas, aos programas de auditórios, dentre outros. O horário, o local e a companhia durante as refeições sofrem alterações e naturalmente todos vão se adaptando a nova realidade.

Na prática pedagógica não tem sido diferente. Observando-se especificamente a realidade local, percebemos que na última década tem se acrescido o número de recursos midiáticos presentes na escola, à disposição de professores e alunos, modificando o processo de ensino aprendizagem a partir dessa incrementação dos suportes pedagógicos tecnológicos, legando muitas vezes a velha dupla – quadro e giz, uma condição inferior dentre os recursos que devem ser utilizados em sala de aula. Se isso tem se revertido em melhor qualidade do ensino e/ou melhor rendimento escolar, é algo a se refletir numa outra oportunidade. No entanto, sabemos que esse processo é irreversível.

 “A educação hoje, mais do que nunca, deve trabalhar com a experiência de vida dos educandos e, ao mesmo tempo, prepará-los para a vida; deve integrar a recriação do significado das coisas, a cooperação, a discussão, a negociação, a busca de solução de problemas e a melhoria da qualidade de vida.”

 “Neste novo contexto de uso da Web 2.0, não podemos deixar de pensar no papel e função do professor atual, que é desafiado a assumir uma postura ativa, criar estratégias que propiciem ao aluno desenvolver processos de aprendizagem por meio dessas tecnologias.”

 O dinamismo, a diversidade e a popularidade do Youtube, por exemplo, são pontos que contribuem muito para o seu uso como estratégia pedagógica. Por ser uma ferramenta midiática de fácil acesso, possibilita a participação de um número maior de pessoas na produção, no registro, como também, no compartilhamento de idéias e informações.

Temos também, o uso de tecnologias móveis, que se estabelece cada vez no cenário de sala de aula. Lembrando ainda, que o uso indiscriminado desses suportes pedagógicos pode se configurar como uma faca de dois gumes. É fundamental que os alunos recebam orientação do professor quantos aos aspectos de qualidade do material compartilhado, como também, no que se refere às questões autorais e éticas. É preciso que estejamos atentos as mudanças tecnológicas, para que continuemos a contribuir positivamente para o sucesso dos nossos alunos.

Anúncios
  1. Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: