Joelma de melo cavalcante e silva – Passeando entre as convergências pedagógicas do cotidiano

Nosso cenário sociocultural afeta nossos hábitos e nos impõe novos desafios diante da utilização dos recursos tecnológicos existentes. A própria Internet nos transporta para ares nunca respirados ou conhecidos por nossos sentimentos e idéias. Estamos constantemente sendo bombardeados por informações que na ausência da internet, haveria uma caminhada distante entre o fato e a divulgação, comunicação e discussão desse mesmo fato; o que hoje já é possível acontecer em tempo real, tendo como exemplo, o diário de bolso para muitos internautas, o Twiter.

Ainda que o computador e a internet sejam os meios tecnológicos mais discutidos, os demais recursos tecnológicos advindos desde a era da descoberta do fogo, exemplifica nossa necessidade de dominar as tecnologias e, como educadores, conhecer e refletir sobre sua utilização dentro e fora da sala de aula, formando protagonistas de uma nova trajetória profissional e pessoal.

O primeiro passo nessa trajetória é alinhar a vida pessoal à conduta profissional, uma vez, que nesse sentido tecnológico de pensar, é inviável ao educador que veja sua sala de aula seja vista como área de conhecimentos através das mídias, oportunizando novos conhecimentos e informações; e que em sua vida pessoal se transforma ou opte por não introduzir em seu cotidiano o conhecimento ou domínio de qualquer tipo de tecnologia. Praticamente todos os objetos que utilizamos em nosso cotidiano escolar são ferramentas que um dia sofreram a descoberta, pesquisa e utilização em massa no meio em que foi criado; como o giz, a caneta, o lápis, a borracha, etc.

A tecnologia que dispomos hoje, principalmente a informática, está em toda parte, fazendo parte quase que totalitária de uma população que vê, consome e pensa a tecnologia, a mídia como parte de sua vida, de seu ser, como um cadeirante e sua cadeira de rodas – que por si só jaz uma tecnologia, o autor e seus livros, um blogueiro e a edição diária de seu blog ou simplesmente um professor de seu quadro, giz, livro.

Há três anos trabalho como regente em um laboratório de informática do município de Natal. Antes era professora de sala de aula de primeiro ao quinto ano e passei dois anos como professora da disciplina de literatura. O avanço tecnológico sempre fez parte de minha vida pessoal e consequentemente de minha profissão. Meus questionamentos e curiosidades me encaminhavam a descobertas sozinha de peguntas que costumava fazer a mim mesma sozinha, em meu quarto durante minhas noites de estudo. Apesar de ter nascido num período onde todos os meus vizinhos e amigos já possuíam ferramentas tecnológicas potentes, ainda que não soubessem utilizar; minha infância foi repleta de brincadeiras de interior como cantigas de roda, elástico, “tô no poço”, esconde-esconde e tica. Fiz meu ensino fundamental em uma escola particular (como bolsista), onde muitas crianças possuíam brinquedos tecnológicos enquanto eu brincava, além dessas citadas acima, com bonecas tipo bebê ou de pano. Já em minha adolescência, meus professores em uma escola filantrópica onde fazia magistério, procurava a domesticar o computador às aulas que preparavam com a ajuda dos próprios alunos. Era notória a falta de domínio deles com a máquina recém-chegada na escola. Meu apreço pelo computador, não foi por se tornar meu primeiro videogame, mas por escrever com facilidade meu sentimento e confusões da adolescente. O computador virou meu diário, tendo abandonado tal rotina apenas aos 25 anos. Além disso o computador me auxiliava a florear meus trabalhos escolares. Quando conheci a internet então, vivenciei um dos momentos mais importantes de minha vida. Era como se eu estivesse descobrindo minha vocação para o conhecimentos, conhecendo o conhecer. Percebi então que como educadora (logo no segundo ano de magistério, ainda com 17 anos comecei a lecionar) não podia deixar de usar as ferramentas que o computador e a internet me proporcionavam a oportunidade de levar meus alunos ao novo ou ainda, ao velho de forma diferente.

Esse breve histórico serve apenas para ilustrar minha trajetória diante da utilização da internet em minhas aulas. Meus alunos, apesar de carentes, apresentam uma paixão por computadores que não consigo explicar. A paixão infantil impressiona e instigue o professor a dedicar-se ao seu planejamento incluindo o uso das mídias e convertendo o velho no novo num olhar diferenciado da educação. Contudo a relação de muitos educadores com a tecnologia ainda é muito distante do ideal que as mídias ofertam a um ambiente escolar. Isso ocorre por inúmeros motivos, os mais comuns são a ausência de domínio da tecnologia e a falta de recursos que compõem essas tecnologias.

Minha experiencia profissional linca alunos e professores, uma vez que no mesmo laboratório onde dou minhas aulas, auxilio aos professores da escola a utilizarem e aproveitarem os recursos tecnológicos bem como a internet.

Os alunos, com seu entusiasmo infantil destacam-se por sua imensa capacidade de inovarem e interagirem com os conteúdos pesquisados em nossas aulas. Já os professores buscam sempre informações mais objetivas para suas aulas, interessando-se pelo além de seu conteúdo programado. Logicamente que tanto os alunos, como alguns professores, apresentam certo apatia as inovações tecnologias, preferindo o tradicional para ensinar e o mesmo para aprender.

O curriculo tecnologico precisa estar atento às características e vicências humanas, são a nossa própria convergência. A todo momento estamos em convergência. Conviver entre a pressão das convergências atualmente não é fácil. Para os novos, que nascem dominando a informatização, o difícil é entender como um dia a televisão era preto e branco; o disco era um vinil enorme ue rodava em agulha dentro de uma radiola ou ainda como o ser humano poderia viver sem comunicação imediata da internet. Para os “antigos”, como é difícil segurar o mouse, conectar um pen drive, tv digital ou ainda localizar-se via gps! As convergências tratam de unir e desunir, é o velho ditado de que tudo tem os dois lados da moeda. No caso da educação, também não podemos destacar os benefícios que a evolução das mídias trouxe para nossas aulas. Mas também é imprescindível reconhecer que ainda há situações que nos retoma a velha sala de aula com quadro e giz (o que não deixa de ser uma evolução diante de tantas realidades de precariedades absurdas que vemos país afora). O mais importante é nos conscientizarmos de que as mídias, independente de sua utilização, foram e são re-criadas por nós (humanos) e que ninguém melhor que nós para dominá-las e fazer uso benéfico das mesmas.

O video curto que utilizei em minhas aulas com os professores, foi exposto numa das atividades pedidas. Nele, podemos destacar a nossa dificuldade enquanto ser humano em jogar-se ao novo, ao desconhcido como faz uma criança. Na maioria das vezes, o receio em aprender o novo, principalmente quando lidamos com as novas tecnologias, acaba bloqueando as oportunidades que temos de utilizar e criar aulas mais interativas e buscar conhecimentos mais amplos.

O video chama-se Helpdesk e exemplifica bem essa situação. Dentre todo o conteúdo do material didático da disciplina, destaco o trecho que diz que “A nova mídia digital é e será, cada vez mais, constituída pela convergência e interação midiática, abandonando o conceito tradicional de mídia segmentada, ou seja, de um meio para cada tipo de mídia.” De fato a evolução da mídia alcançou um patamar e ainda faz sua trajetória no que diz respeito a convergencia do conhecimento. Façamos nossa parte também como educadores, em converter conteúdos em atividades midiáticas prazerosas para professores e alunos.

Quanto a atividade relacionada a escolha de uma imagem como tema de uma aula, a minhaimagem escolhida faz parte do acervo da escola onde trabalho. Todos os eventos são filmados ou fotografados por mim ou por outros colegas de trabalho, costumo depois fazer um cartaz evidenciando a importância daquele momento e registrar tudo que acontece na instituição. O que quero destacar nessa imagem e o ato de cidadania realizado pela aluna. Como discussão e reflexão em sala de aula podemos enfocar a importância desse voto no ambiente escolar, no que implica, como se chega a decisão, como se deu esse direito, que peso tem, e quais os objetivos de futuros votos como para senador, deputado, vereador, prefeito,governador e presidente.

Votação de aluna para Diretor/Vice - Foto: Joelma Mello

De fato, as possibilidades tecnológicas desse mundo contemporâneo, no qual se consegue, por meio de dispositivos sem fio, comunicar e informar a qualquer tempo e de qualquer lugar, estão viabilizando mais do que informação e entretenimento. Em outras palavras, isso significa que há espaço para que o processo educacional também se desenvolva a partir de um conceito, que podemos denominar “educação móvel e conectada”.

Reconhecer as mídias como fator de conexão entre o pensar, o realizar e o reconhecer é uma realidade que o professor deve refletir. A mídia nos conecta, independente de sua ligação com a internet, possibilita uma mobilidade de conceitos que podemos ampliar e reforçar; como a importância do voto para o exercício da cidadania, destacado na imagem escolhida.

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